Tite é apresentado como novo técnico da seleção: 'O foco é a classificação para o Mundial'


Enfim, é oficial. Tite, que deixou recentemente o Corinthians, é o novo técnico da seleção brasileira. Nesta segunda-feira, ele foi apresentado na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Zona Oeste Rio de Janeiro.

- A minha atividade e convite feito foi para ser técnico da seleção brasileira de futebol. Entendo que essa atribuição é a melhor maneira para contribuir com ideia da minha vida: transparência, democratização, excelência, modernidade, é a forma que penso e trago para o futebol. Meu legado pode falar sobre a forma com que conduzi - disse Tite, em suas primeiras palavras como comandante do Brasil.

Depois, resumiu o principal objetivo do Brasil.

- O foco é a classificação para o Mundial da Rússia. A partir daí, o crescimento.
Tite chega à seleção brasileira credenciado pelo ótimo trabalho feito em suas duas últimas passagens pelo Corinthians. Ele é o treinador mais vencedor da história do clube paulista. Conquistou, como principais títulos, dois Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial.
Abaixo, alguns trechos da entrevista do técnico.

Continuação do trabalho de Dunga - “É precipitado, mas dá para trazer como ideia. Aproveita-se dentro do que se entenda ser o melhor, cada um com suas ideias, mas claro que se aproveita. Sou um técnico em formação, vai um tijolinho a cada dia, aprendemos com nossos erros. Não tenho problema algum em melhorar e aprender com acertos dos outros”.

Trabalhar com a CBF, entidade que já tinha sido criticada por ele - “O que foi solicitado, e fico muito tranquilo em conversar com CBF. Houve dois aspectos fundamentais: autonomia e a busca pela excelência, o melhor do futebol, isso eu sei fazer. Campo, análise de desempenho, eu me reformatar enquanto técnico porque Seleção é diferente de clubes. Temos que classificar”.

Assumir cargo com pressão - “Ideal é início de trabalho. As circunstâncias acontecem. Fiquei sentado numa poltrona em 2014 e não veio. Porque as coisas têm seu tempo. Veio agora, entendi que devia aceitar, por fazer parte da minha carreira estar técnico da seleção brasileira. Um objetivo pessoal e talvez o meu melhor momento profissional. Ganhando, mas perdendo muito. Coragem assumir agora”.

Queda do Brasil na Copa América Centenário - “Eu estava de cabeça inchada, remoendo derrota pro Palmeiras, e não vi o jogo contra o Peru. Meu foco estava unicamente voltado ao Corinthians, triste. Remoendo a dor. me fecho no quarto, fico no meu canto e pensei no que poderia fazer de melhor. Assisti depois o gol do Peru, não vi o jogo”.

Como vai jogar a seleção do Tite? - "Triangulações, troca de passes e infiltrações. De transição, perder a bola e ter iniciativa em pressão alta, média ou baixa. Organização de bola parada importante e consistente. Desafio de me reinventar. Peço que clubes me proporcionem um dia de treino e conversa com técnicos, conhecer características, como posso intervir, onde jogadores podem render".

Técnicos gaúchos na seleção - “Não acredito em escola gaúcha de técnicos, acredito em escola brasileira. Duas vertentes separadas, uma que premia a triangulação, organização e posse de bola, e outra mais do contato físico e bola longa. Há técnicos gaúchos das duas escolas. É a escola do seu Telê ou a do seu Ênio Andrade”.

Rogério Micale na Olimpíada - “Era muito fácil o técnico alinhavar uma situação, prever estar na Olimpíada, e trazer louros. Se ganha, medalha de ouro. Senão tem desculpa pronta de ter assumido em cima da hora. Isso eu não faço. A prioridade é a seleção brasileira e desenvolver trabalho em cima da classificação. Preciso ajustar, estar dentro dessa situação o mais rápido possível. Ah, mas eles não têm know-how? Eu também não tinha. Respeito total ao Rogério e a maior probabilidade de sucesso é com ele e sua equipe”.

Sequência do trabalho - “Vamos viajar amanhã para ver jogo da Colômbia (contra o Chile, nos EUA). Tenho que me reinventar como técnico e quero assistir in loco a Colômbia (rival do Brasil no dia 6 de setembro)”.

História da seleção - "Ela inspira e faz o joelho balançar também. Toda uma história extraordinária. Eu me lembro de 1970, ouvindo com 8 anos o rádio, o Tostão recebe uma bola pelo lado esquerdo, passe e infiltração do Clodoaldo, empatamos e eu saí vibrando, feliz da vida. Ou a Copa de 82 que me marcou pela beleza, sou fascinado por meio-campistas. Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico...".

Contato com a torcida - "Eu tava saindo do aeroporto, um cara falou: 'Tite, agora são 200 e tantos milhões'. Sei da responsabilidade, mas me preparei e continuo me preparando. Sei que vou pegar atletas já treinados e quero estabelecer relação com outros técnicos e jogadores".

Momento do Brasil - "Equipe se montam, se formam, se consolidam e crescem. É assim nas equipes, e tenho a experiência como técnico de clubes. E vejo assim nas seleções".
Neymar - "A partir desse momento começo a interagir. Uma coisa que acredito: o lado humano potencializa o lado profissional. Vindo pra cá, minha perna estava balançando, é o lado humano que todos têm. Posso assegurar que todos, inclusive o Neymar, querem o bem da Seleção. Compete a nós encontrar e buscar o melhor caminho".

Tite, sobre a mãe - "Querida mãe, imagina a realização de ver o filho na seleção brasileira. Peço para as pessoas terem cuidado com ela, carinho, se falar com ela vai tirar coisas que emoção vai aflorar. Eu disse a ela hoje de manhã quando acabou a reunião do Gilmar (Veloz, empresário). Eu disse: 'Mãe, teu filho é técnico da Seleção'. Ela começou a chorar e me deu bênção".

Geração brasileira - "Grandes atletas com potencial de crescimento. O técnico evolui, o atleta evolui e tem capacidade de evolução, amadurecimento, e é assim essa geração. Afora Neymar ser o astro, tem uma série de outros jogadores com qualificação e potencial de crescimento muito grande".

Sentimento de Tite na semana - "Foi um turbilhão, sou um ser humano, tenho os mesmos sentimentos que vocês têm e por condição da vida, de me preparar dia a dia. Não imaginei ser técnico da Seleção, não planejei, faço meu melhor a cada dia. Estabeleço metas a curto e médio prazo, aprendi que futebol é assim. Daqui a um, dois ou três anos vai ser outro profissional. Não sou melhor que ninguém".

Tite por Tite - "Lado da vaidade e ostentação passou por mim. Eu tive, mas já passou. Gosto de ficar em casa com minha esposa, tenho hábitos simples. Perguntei ao presidente do Corinthians se eu podia dormir em casa no dia da concentração. Ele disse que eu podia ficar em casa porque ninguém me via, eu ficava lendo no quarto. Não sou simplório, sou simples, gosto do meu café, meu trabalho, é meu fascínio".

Tite sobre o rodízio de capitães na seleção - "Vejo ontem a final da NBA. Um toco do LeBron James determina a sequência do Irving, a marcação de um com a qualidade do outro. Senso de equipe. Nós precisamos ter senso de equipe. Aí sim, seja ele num clube qualquer ou na Seleção".

Seleção com a cara do Tite - "Não tem que ter a cara do Tite, tem que ter a cara do Brasil e da qualidade individual dos atletas. Com a competitividade. Sistema que potencialize, não é minha cara, é a nossa, da característica dos atletas. A priori, muita transição e rapidez com base da Seleção, afora qualidade técnica. Ajustar, potencializar, essa é minha função".
Volta de jogadores como Marcelo, Thiago Silva e David Luiz à seleção - "Situações passadas, se passa uma borracha. Agora a relação é comigo..."

Edu Gaspar, sobre o trabalho - “Fizemos reunião com presidente, uma das prioridades é dar ênfase agora às eliminatórias, estamos nos preparando. Ideia é cuidar da seleção principal, temos o Damiani fazendo grandíssimo trabalho na base. Estarei ao lado dele, com uma função muito parecida, mas total ênfase na seleção principal”.


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